|

Notícias

Notícias em destaque
12
fev

Um conversa com o autor de O Triunfo da Moral Burguesa no Recife.

Um conversa com o autor de O Triunfo da Moral Burguesa no Recife.

 

Recentemente a Fundação Joaquim Nabuco publicou o livro O Triunfo da Moral Burguesa no Recife, do historiador Paulo Raphael Feldhues. O autor, que colabora com a Pós-graduação e com a Coordenação do Curso de História da FAINTVISA, falou um pouco sobre seu trabalho. A conversa é com o professor e arqueólogo Marcelo Hermínio, que atua na FAINTVISA e no Instituto Histórico e Geográfico da Vitória de Santo Antão.

 

De que trata seu livro e a que público se destina?

O livro trata das tensões entre o moderno e o tradicional na sociedade recifense dos anos 30 e 40. Penso que essas tensões se prolongam ainda hoje, de forma diferente e diversa. É um livro que se destina não apenas ao público universitário, mas também ao leitor em geral que se interessa pelas relações entre nossas tradições e a modernidade.

 

Você afirma, em seu livro, que a modernidade no Recife foi construída em negociação com a chamada “civilização do açúcar”, já em declínio. Pode-se dizer que seu trabalho se insere nessa recente redescoberta de Gilberto Freyre pela academia?

É certo que a obra de Freyre, por sua densidade psicológica, foi bem menos lida do que merece. Acredito que por apresentar possibilidades de afeto no interior de um sistema escravagista, Freyre acabou por irritar a sensibilidade dos mais exaltados em justificar a vitimização da população negra no Brasil. Cada época consagra suas proposições. A obra de Gilberto Freyre foi relegada, dentre outras razões, por não se alinhar às proposições de sua época, embora jamais tenha defendido o escravismo. E não foi só ele, veja, no teatro, o exemplo de Nelson Rodrigues, outro renegado em sua época. Não nos enganemos, a academia também é produtora de censuras e devemos estar atentos a isso. Se meu trabalho servir de estímulo também para a leitura da obra de Freyre, fico feliz.

 

O Estado Novo (1937-1945) em Pernambuco recebeu a atenção em diversos estudos. O que o leitor pode esperar de seu livro?

Não faço um estudo político sobre o período. Estou interessado nos costumes e hábitos que indicam uma forma de pensar, de estar no mundo. Interesso-me pelos valores pessoais e coletivos do recifense que estão em plena transformação. Se o Estado Novo foi palco dessas alterações, não se pode minimizar a influência que teve a Segunda Guerra na consagração de padrões valorativos burgueses em nossa sociedade. A moralidade tradicional, representada por aquela civilização do açúcar – que você falou há pouco – sofreu um forte golpe com os desdobramentos da Guerra sobre o Recife. Acredito que esse é um aspecto pouco discutido em nossa literatura.

 

Agradeço pela conversa, tenho certeza que o livro será um sucesso!

Muito obrigado, foi um prazer!

 

ONDE ADQUIRIR O LIVRO:

Coordenação de Pós-graduação FAINTVISA;

Fundaj Derby, Rua Henrique Dias, 609, Derby – Recife

Museu Homem do Nordeste, Fundaj Casa Forte, Av. 17 de Agosto, 2187, Recife.

Preço: R$ 25,00.