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16
dez

O Serviço de Clínica-Escola na FAINTVISA: Celebrando os Direitos Humanos

O Serviço de Clínica-Escola na FAINTVISA: Celebrando os Direitos Humanos

A DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS, Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III), da Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948 é uma carta de princípios éticos cujo objetivo final é defender e preservar a vida humana e o respeito absoluto a dignidade da pessoa humana independente de raça, de sexo, de classe social ou de crença religiosa. A Declaração buscava evitar novos holocaustos, foi um grito de esperança e de vida para toda a humanidade.A profissão de psicologia no Brasil foi instituída em 1962, quatorze anos depois da Declaração dos Direitos Humanos, e junto com ela logo surgiram os serviços-escola, instalados com o objetivo principal de atender à necessidade de formação nos cursos de Psicologia. Os serviços-escola têm, desde então, o objetivo de aplicar, na prática, as teorias e técnicas psicológicas aprendidas em sala de aula. Ao mesmo tempo, assumir um papel social importante, visto que possibilitam à população desfavorecida e vulnerável um atendimento psicológico que, de outro modo, poderia ser inacessível. A acessibilidade ao atendimento, incluindo a psicoterapia, é uma contribuição e um compromisso com os princípios dos Direitos Humanos. 

O termo clínica-escola veio a ser substituído por serviço-escola a partir do 12° Encontro de Clínicas-Escola do Estado de São Paulo em 2004. O novo termo tinha como propósito dar visibilidade aos diversos modos de intervenção da psicologia, bem como o entendimento contemporâneo de uma prática clínica para além do que se definia como “estritamente clínico”. Neste sentido, os serviços de psicologia passaram a serem vistos como uma possibilidade de atendimento a um maior número de pessoas na comunidade, mantendo a qualidade do serviço realizado por estudantes e, ao mesmo tempo, adequando-os às necessidades sociais pertinentes ao momento histórico e as características locais. Assim, é importante entender que a finalidade dos serviços-escolas está diretamente vinculada à possibilidade de experiência dos/as alunos/as mediante a aplicação dos conhecimentos teóricos e técnicos adquiridos em sala de aula e a oferta de atendimento à população que vive em situação de precariedade e vulnerabilidade, desassistidas pelos equipamentos públicos.

O serviço-escola da FAINTVISA, alinhado com os princípios dos Direitos Humanos, organiza sua prestação de serviço à comunidade vinculada à realidade do contexto local. Assim, as atividades de atendimento e supervisão devem inserir na formação do/a aluno/a o entendimento das demandas locais e, sempre que possível, cumprir ações adequadas e efetivas para população que faz uso dos serviços-escola. O oferecimento das atividades de formação nas dependências do serviço-escola, como uma modalidade direta de prestação de serviços à comunidade, não tem limitado o entendimento e a formação dos/as alunos/as. Ao longo dos 04 (quatro) anos tem oportunizado o desenvolvimento de competências para lidar com os limites e com as possibilidades na construção de uma prática psicológica ampla e sintonizada com um acolhimento aos sujeitos em crise, ou melhor, em urgência subjetiva.  

O acolhimento aos sujeitos em crise pode-se denominar de urgência subjetiva, que acontece em três momentos: o momento inicial que leva o sujeito à instituição; o momento da recepção da situação  na instituição; e o momento do encaminhamento para a condução das demandas, implicando uma determinada concepção de clínica que vai além da triagem para encontrar um diagnóstico,  com o objetivo de acolher alguém com responsabilidade e resolutividade. Assim, o serviço-escola da FAINTVISA preza pela atitude acolhedora atenta e flexível à diversidade de pessoas, seus contextos e suas demandas. Por isto, mantemos o compromisso de “porta aberta” para a comunidade e as pessoas encaminhadas pelas parcerias com equipamentos públicos (CRAS, CREAS, Ambulatórios) e organizações não governamentais (Instituto Vitória Humana – IVH), na perspectiva de uma acolhida estabelecida a partir de uma rede de cooperação entre o Curso de Psicologia da FAINTVISA e as pessoas e organizações.

Neste sentido, resta-nos esclarecer os/as desavisados (as), que mantém uma imagem e representação restrita e limitada sobre os serviços-escola, que uma prática que se propõe a acolher, a ouvir e a escutar o sofrimento humano jamais poderá ser considerada alheia, a clínica como uma atitude não depende de um lugar e nem de um tipo de clientela para que aconteça, o mais importante é sabermos e termos uma certeza de que toda escuta clínica resulta de uma atitude que expressa uma determinada concepção filosófica de mundo.